domingo, 17 de maio de 2009

Divisora de águas!

O dia 4 de Novembro de 1968 é uma data histórica para a Televisão Brasileira: estreava, nesse dia, às 20 horas, na TV Tupi, "Beto Rockfeller", a novela que iria revolucionar completamente a teleledramaturgia, quer do ponto de vista da concepção e estrutura da história, quer do ponto de vista da direção e da interpretação, e que teria o seu último capítulo a ir ao ar no dia 30 de Novembro de 1969.

A sinopse do então diretor geral da Rede Tupi, Cassiano Gabus Mendes, foi parar às mãos do dramaturgo Bráulio Pedroso, que, curiosamente, até então, nunca havia visto televisão!
Bráulio Pedroso escrevia os capítulos e Lima Duarte, que dirigia a novela ao lado de Walter Avancini, adaptava-os para um registo mais televisivo.
A escalação de atores reunia os maiores talentos e estrelas da época, Débora Duarte, Luiz Gustavo, Irene Ravache, Marília Pêra, Ana Rosa, Plínio Marcos, Walter Forster, e lançava a atriz Bete Mendes.


Débora Duarte e Luiz Gustavo, os protagonistas de "Beto Rockfeller".


Assim nascia "Beto Rockfeller", título escolhido por Lima Duarte e que, segundo o próprio, sintetizava a ideia da novela:
"Beto, de Beto, um Beto qualquer, e Rockfeller, único e absoluto (...) E a novela é assim mesmo, desse Beto que quer ser o Rockfeller e não sabe o que tem de pagar para ser isso."

A crítica mordaz à sociedade, a irreverência dos temas em tempos de censura, o tom coloquial dos diálogos, o fator improviso, a simplicidade da trama aliada à complexidade dos personagens, o realismo e a modernidade da história e da forma como era contada e interpretada, não esquecendo a inovação da trilha sonora, que passou a conter temas de música popular, romperam com todos os padrões da época, renovando radicalmente o panorama da teledramaturgia brasileira. Na verdade, "Beto Rockfeller" criou a novela brasileira, aquela com que o povo brasileiro finalmente se identificou e onde encontrou a sua alma.


Débora Duarte em "Beto Rockfeller".


Mas se a novela em si representou uma revolução para a teledramaturgia brasileira, a interpretação de Débora Duarte também foi uma verdadeira divisora de águas no que respeita à arte da interpretação!


Débora tinha, então, apenas 18 anos de idade, mas já treze de televisão. Deu vida a Lu, a rebelde e carismática namorada de Beto Rockfeller, personagem de Luiz Gustavo.
A par do primeiro protagonista anti-herói de Luiz Gustavo, Débora, com a sua surpreendente naturalidade em relação aos padrões de interpretação da época, criou, com maestria, a primeira heroína anti-mártir da história da televisão brasileira.


Uma antológica interpretação que valeu, a Débora, os dois mais importantes prêmios do Brasil para melhor atriz, no ano de 1969: o Troféu da APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte) e o Troféu Roquete Pinto.


Débora Duarte recebendo o Troféu Roquete Pinto, em 1969, pela sua interpretação em "Beto Rockfeller".



Nos seus agradecimentos, Débora revela a sua humildade, dizendo-se "uma atriz em formação", e agradece a seu pai, Lima Duarte, que a dirigiu na novela.



Linda e encantadora, a jovem e genial Débora!


O canal DÉBORA DUARTE no YouTube oferece-nos esta deliciosa relíquia: Débora recebendo o seu Troféu Roquete Pinto, em 1969!
VEJA AQUI.

2 comentários :

Rafael Zapater disse...

O toque de capricho mais a dedicação da Carol nesse blog, não tem pra ninguém

Parabéns pelo capricho...ainda mais pelas raridades

Excelente post....

bj

linalovers2 disse...

eu assisti beto rockefeller todinha, eu era criança mas me lembro muito bem, foi a melhor novela de todos os tempos!