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domingo, 9 de junho de 2013

Relíquia dos Anos 80

Uma relíquia dos anos 80 foi publicada, estes dias, no canal da cantora Perla Paraguaia: um programa de Joaquim Silvestre todo em homenagem a Débora Duarte, com entrevista e muitas visitas surpresas de familiares, amigos e colegas, numa viagem por sua vida e carreira...

domingo, 17 de maio de 2009

Divisora de águas!

O dia 4 de Novembro de 1968 é uma data histórica para a Televisão Brasileira: estreava, nesse dia, às 20 horas, na TV Tupi, "Beto Rockfeller", a novela que iria revolucionar completamente a teleledramaturgia, quer do ponto de vista da concepção e estrutura da história, quer do ponto de vista da direção e da interpretação, e que teria o seu último capítulo a ir ao ar no dia 30 de Novembro de 1969.

A sinopse do então diretor geral da Rede Tupi, Cassiano Gabus Mendes, foi parar às mãos do dramaturgo Bráulio Pedroso, que, curiosamente, até então, nunca havia visto televisão!
Bráulio Pedroso escrevia os capítulos e Lima Duarte, que dirigia a novela ao lado de Walter Avancini, adaptava-os para um registo mais televisivo.
A escalação de atores reunia os maiores talentos e estrelas da época, Débora Duarte, Luiz Gustavo, Irene Ravache, Marília Pêra, Ana Rosa, Plínio Marcos, Walter Forster, e lançava a atriz Bete Mendes.


Débora Duarte e Luiz Gustavo, os protagonistas de "Beto Rockfeller".


Assim nascia "Beto Rockfeller", título escolhido por Lima Duarte e que, segundo o próprio, sintetizava a ideia da novela:
"Beto, de Beto, um Beto qualquer, e Rockfeller, único e absoluto (...) E a novela é assim mesmo, desse Beto que quer ser o Rockfeller e não sabe o que tem de pagar para ser isso."

A crítica mordaz à sociedade, a irreverência dos temas em tempos de censura, o tom coloquial dos diálogos, o fator improviso, a simplicidade da trama aliada à complexidade dos personagens, o realismo e a modernidade da história e da forma como era contada e interpretada, não esquecendo a inovação da trilha sonora, que passou a conter temas de música popular, romperam com todos os padrões da época, renovando radicalmente o panorama da teledramaturgia brasileira. Na verdade, "Beto Rockfeller" criou a novela brasileira, aquela com que o povo brasileiro finalmente se identificou e onde encontrou a sua alma.


Débora Duarte em "Beto Rockfeller".


Mas se a novela em si representou uma revolução para a teledramaturgia brasileira, a interpretação de Débora Duarte também foi uma verdadeira divisora de águas no que respeita à arte da interpretação!


Débora tinha, então, apenas 18 anos de idade, mas já treze de televisão. Deu vida a Lu, a rebelde e carismática namorada de Beto Rockfeller, personagem de Luiz Gustavo.
A par do primeiro protagonista anti-herói de Luiz Gustavo, Débora, com a sua surpreendente naturalidade em relação aos padrões de interpretação da época, criou, com maestria, a primeira heroína anti-mártir da história da televisão brasileira.


Uma antológica interpretação que valeu, a Débora, os dois mais importantes prêmios do Brasil para melhor atriz, no ano de 1969: o Troféu da APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte) e o Troféu Roquete Pinto.


Débora Duarte recebendo o Troféu Roquete Pinto, em 1969, pela sua interpretação em "Beto Rockfeller".



Nos seus agradecimentos, Débora revela a sua humildade, dizendo-se "uma atriz em formação", e agradece a seu pai, Lima Duarte, que a dirigiu na novela.



Linda e encantadora, a jovem e genial Débora!


O canal DÉBORA DUARTE no YouTube oferece-nos esta deliciosa relíquia: Débora recebendo o seu Troféu Roquete Pinto, em 1969!
VEJA AQUI.

sábado, 2 de maio de 2009

A Grande Família II

Débora levando um ternurento beijinho de sua mãe, Marisa Sanches, grande atriz que brilhou durante décadas na TV Tupi e de quem Débora concerteza herdou toda a beleza e o extraordinário talento que tanto encantam o Brasil e o Mundo!


Débora contracenando com seu pai, o mestre Lima Duarte, na novela "O Décimo Mandamento" (Tupi, 1968), na qual interpretavam, pela primeira vez (a segunda foi em "Pecado Capital", da Globo, em 1975), os mesmos papéis da vida real: a filha Mariana e o pai Salvador.


Débora com sua primogênita, Daniela, nascida em 1975 e filha de Gracindo Jr., hoje atriz, diretora e produtora.


Débora e o ator Gracindo Jr., o pai de Daniela. Ambos trabalharam juntos inúmeras vezes no teatro, como por exemplo na peça "A Teoria na Prática é Outra" (1974) e ainda nas peças "Meus Prezados Canalhas" (1993), "Com a Pulga Atrás da Orelha" (2003) e "Liberdade para as Borboletas" (2005), dirigidas por Gracindo Jr. e estreladas por Débora.


Débora e sua "caçula" Paloma, nascida em 1977 e filha de Antônio Marcos, hoje também uma das mais famosas atrizes do Brasil.


Débora e o cantor e compositor Antônio Marcos, ou Toninho, o pai de Paloma, no estúdio de gravação, em 1976. Em 1978, ambos gravaram dois duetos lindíssimos, "Sonho de Nós Dois" e "A Carta", disponíveis para escutar neste blog. Também estiveram juntos em duas novelas, "Toninho on The Rocks" (Tupi, 1970), vivendo o par romântico Anita e Toninho, e "Cara a Cara" (Bandeirantes, 1979), vivendo Regina e Nando. Além disso, ainda em 1979 e na TV Bandeirantes, fizeram juntos um programa chamado "Rosa e Azul", que ia ao ar todas as terças-feiras às 21 horas, e onde os dois comandavam uma disputa entre as mulheres do planeta rosa e os homens do planeta azul!


Débora e suas lindas filhas, Paloma à esquerda e Daniela à direita.


Para ver a primeira matéria deste blog dedicada
à família de Débora Duarte, clique
aqui.

sábado, 20 de dezembro de 2008

A Grande Família

Marisa Sanches é a mãe, grande atriz, uma das pioneiras da Televisão e da teledramaturgia brasileiras, nascida a 8 de Abril de 1924, em Caconde, São Paulo, e falecida em 2002. Além de atriz, foi cantora, locutora, apresentadora. Morou nos EUA, onde participou da N.B.C., emissora de Nova Iorque, e onde conheceu o pai biológico de Débora, o músico Douglas Duke. De regresso ao Brasil, foi contratada pela TV Tupi, onde realizou inúmeros trabalhos marcantes ao longo das décadas de 50, 60 e 70. Casou com Lima Duarte quando Débora tinha um ano e oito meses de vida e teve com ele mais uma filha, Mônica.
Curiosamente, Débora diz que, em casa, apesar de serem todos artistas, nunca se falava de trabalho!


Débora e Marisa, em 1975, poucos dias depois
do nascimento de Daniela, a primeira filha e neta


Lima Duarte (Ariclenes Venâncio Martins) é o pai, lenda viva da teledramaturgia brasileira, nascido a 29 de Março de 1930, em Sacramento, Minas Gerais. Considerado um dos maiores atores do Brasil, consagrou-se também como diretor, tendo feito ainda trabalhos de dublador. A história da sua carreira confunde-se com a história da Televisão e da teledramaturgia brasileiras. Casou com Marisa Sanches em 1951, tornando-se o pai de Débora. Com ele, Débora diz que aprendeu uma certa maneira de olhar o mundo, essencial ao ofício de ator.
Felizmente, ambos contracenaram algumas vezes: em "Gutierritos, o Drama dos Humildes" (1964), "O Décimo Mandamento" (1968), "As Bruxas" (1970), "Pecado Capital" (1975) e "Porto dos Milagres" (2001). Tiveram ambos ainda participações especiais em "Partido Alto" (1984). Débora foi ainda dirigida pelo pai em "Beto Rockfeller" (1968).


Débora e Lima, nos anos 70


Daniela Gracindo (Daniela Sanches Duke Gracindo) é a filha mais velha, nascida a 1 de Junho de 1975. Filha de Débora com o ator Gracindo Júnior, Daniela herdou a vocação artística: atriz formada, é também diretora, produtora e roteirista. Tem percorrido todos os veículos: Televisão, Teatro e Cinema. Mais recentemente, produziu um documentário sobre o seu avô paterno, outro grande ator, Paulo Gracindo, intitulado "Paulo Gracindo - O Bem-Amado".
Débora e Daniela estiveram juntas em "Grande Pai" (1991) e na peça teatral "Com a Pulga Atrás da Orelha" (2003).


Débora com Daniela bebé


Paloma Duarte (Paloma Marcos Sanches Silva) é a filha mais nova, nascida a 21 de Maio de 1977. Fruto do casamento de Débora com o cantor Antônio Marcos, Paloma consagrou-se, já, como uma das grandes atrizes da sua geração. São filhas dela as duas netas de Débora, Maria Luísa e Ana Clara.
Débora e Paloma estiveram juntas em "Grande Pai" (1991), "Hilda Furacão" (1998), "Terra Nostra" (1999) e "Porto dos Milagres" (2001), sendo que em "Terra Nostra" tiveram os mesmos papéis da vida real, como as inesquecíveis Maria do Socorro e Angélica.


Débora com Paloma em criança


As duas filhas, Daniela e Paloma, são, sem dúvida, o grande amor e o grande orgulho de Débora, que se diz "uma mãe babada"...


Daniela, Débora e Paloma, no início dos anos 80







Débora com Daniela e Débora com Paloma, nos anos 90



Daniela, Débora e Paloma, na festa de aniversário de Débora em 2003



Daniela, Débora e Paloma, na estreia da peça
"Ladrão Que Rouba Ladrão" (2004), estrelada por Débora



Paloma, Débora e Daniela

O grande sonho de Débora é reunir esta grande família em cima de um palco ou na telinha: os quatro, Débora, Lima, Daniela e Paloma!

É o sonho de todos nós também!

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

De Lulu a Vilminha

Em 1975, Débora foi escalada para viver a personagem Lulu de "Roque Santeiro" ("A Saga de Roque Santeiro e a Incrível História da Viúva que Foi sem Nunca Ter Sido"), novela de Dias Gomes, com direção de Daniel Filho, na Rede Globo, que, então, comemorava dez anos de existência.

« DÉBORA BOTA A SUA JUVENTUDE PARA FORA

Poucas vezes Débora Duarte esteve tão satisfeita numa novela como está se sentindo em Roque Santeiro. E ela tem muitos motivos para isso: pela primeira vez vai trabalhar ao lado de seu pai, Lima Duarte; também pela primeira vez vai fazer uma novela das 20 horas*: é o que ela acha mais importante - interpretando um personagem de grande identificação com muita gente.
"Lulu é uma menina de interior, que admira os artistas e sonha trabalhar em televisão. Não é ingênua como a Dora do Espigão. É uma jovem esperta, viva, que quer se expandir, botar sua juventude pra fora. Eu a chamo de Lulu-uau, porque é muito deslumbrada. Quer viver uma vida de sonho, que imagina ser a dos artistas que admira. Essa garota sonhadora tem muito de Débora aos 12-13 anos".
E para se aproximar de Lulu, ela voltou no tempo. ''Revivi minhas emoções da adolescência. Quando ainda garota, entre 12 e 13 anos, eu vivi esse tipo de emoção. Tinha muitos dos sonhos e das vontades que a Lulu tem. O que a Débora não tem da Lulu é a ligação com milagreiros. Lulu é considerada uma santa por ter recebido uma graça de Roque Santeiro. Em criança, ela tinha um problema nas pernas, e a cura é atribuída a um milagre do Roque, que numa visão lhe teria dito como proceder para ficar curada. Testemunha viva deste milagre, ela é tida corno santa pelos habitantes de Asa Branca e até por seu marido, Zé das Medalhas (Emiliano Queiroz), que a mantém isolada em casa."
Embora o relacionamento de Débora com seu pai, Lima Duarte, seja o melhor possível, o fato de estar trabalhando com ele a deixa um pouco inibida. ''É a primeira novela que fazemos juntos. E meu pai é meu crítico mais severo e impiedoso. Se acha que a minha atuação em determinada cena foi ruim, ele diz mesmo. E até bom, porque me ajuda a melhorar."
Débora diz que Lima não queria que ela seguisse a carreira artística. "Embora tanto ele quanto minha mãe (Marisa Sanchez) já fossem atores, fui fazer televisão à revelia dos dois. Lima considerava a profissão de ator como uma não-profissão, um trabalho marginalizado. Queria uma verdadeira profissão para mim. E de maneira geral, o ator no Brasil é realmente meio marginal, embora hoje menos do que antes. É agora o que se pode chamar de um marginal muito bem pago. O que lhe confere certo ar respeitável."
Fazendo televisão desde os cinco anos, Débora já trabalhou também bastante em teatro, mas tem a TV como o melhor veículo para seu trabalho. ''Nasci em 1950, quando se implantava a televisão no Brasil. Não só eu como toda a minha geração, é um produto da televisão, formado segundo os estímulos que ela, dá. A televisão é corrente com o tempo em que estou vivendo com o qual me identifico. É um tempo sem tempo, um massacre de informações, de estímulos, em que a televisão tem grande destaque''. »


Revista: Amiga TV

Data de Publicação: 27.08.1975
Fonte: Site TV Pesquisa


* Foi, efetivamente, a primeira vez que Débora fez uma novela das 20 horas na Rede Globo, mas não na sua carreira: na Rede Tupi, ela já havia feito ("Beto Rockfeller", de 1968, por exemplo).


Curiosamente, a data de publicação desta deliciosa matéria coincidiu com a data em que "Roque Santeiro" estrearia, no horário nobre da Globo: 27 de Agosto de 1975.
Porém, nessa mesma noite, pouco antes de a novela ir ao ar, foi lido, no Jornal Nacional, o comunicado da Censura Federal que vinha proibir a sua transmissão, alegando que "a novela contém ofensa à moral, à ordem pública e aos bons costumes, bem como achincalhe à Igreja".

Com quase trinta capítulos gravados e dez editados, a novela, que seria a primeira colorida do horário nobre, ficou suspensa, nunca chegando, pois, a ser exibida!
Esses capítulos encontram-se, hoje, nos arquivos do CEDOC.

Na verdade, Dias Gomes escreveu "A Saga de Roque Santeiro..." como uma adaptação subtil para televisão da sua peça teatral "O Berço do Herói", escrita em 1963, e que fora interdita pela Censura do Governo Militar em 1965.
Através de uma escuta telefónica de uma conversa entre Dias Gomes e o seu amigo Nelson Werneck Sodré, em que aquele confessava o seu propósito, a Censura acabou por descobrir tudo e interveio bem em cima da hora!

A fim de fazer à face a esta situação inesperada, a Rede Globo lançou uma reprise compacta de "Selva de Pedra" para preencher o horário e encomendou, em velocidade de relâmpago, uma novela substituta a Janete Clair, que, em tempo recorde, escreveu aquela que viria a tornar-se um dos grandes sucessos de sempre da teledramaturgia: "Pecado Capital".

Por motivos práticos, houve a preocupação de se usar, na nova novela, o mesmo elenco que já estava escalado para "Roque Santeiro"!

E foi assim que Débora abandonou abruptamente a sua Lulu para se transformar na antológica e inesquecível Vilminha Lisboa...



Vilminha


Vilminha com o Dr. Percival (Milton Gonçalves), seu psicólogo


Vilminha e Nélio (Dennis Carvalho), com quem ela se casa


Vilminha no meio dos seus irmãos: Vicente (Luiz Armando Queiroz),
Vitória (Theresa Amayo), Vinicius (Marco Nanini),
Válter (João Carlos Barroso) e Virgílio (Lauro Góes)


"Pecado Capital" foi ao ar a 24 de Novembro de 1975, mantendo-se até 5 de Junho de 1976, sob a direção de Daniel Filho e Jardel Mello.
Filha do viúvo milionário Salviano Lisboa (interpretado por Lima Duarte), Vilminha, que sofre de um trauma de infância, vê os seus problemas psicológicos agravados com a entrada de Lucinha (Betty Faria) na vida do seu pai, relacionamento que não aprova.



Débora gravando "Pecado Capital"

Débora e Lima Duarte viveram, assim, pela segunda vez, os papéis de pai e filha na ficção.
A primeira vez que isso aconteceu foi em "O Décimo Mandamento", novela de Benedito Ruy Barbosa, com direção de Antônio Abujamra, produzida pela Rede Tupi e exibida, no horário das 19 horas, de Janeiro a Março de 1968. Débora era, então, Mariana, e Lima Duarte, Salvador.

Quanto a "Roque Santeiro", viria a ser, finalmente, produzida, do princípio ao fim, dez anos depois do episódio da censura, em 1985, já em clima de liberalização política.
Lima Duarte, curiosamente, manteve-se no mesmo papel que tivera em mãos na primeira versão, de 1975: o também antológico Sinhôzinho Malta. Já a Lulu de Débora foi entregue, na versão de 1985, à atriz Cássia Kiss.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

No Túnel do Tempo... 1994!

Débora na vinheta de fim de ano da Rede Globo, de 1994/1995, no meio do seu pai, Lima Duarte, e da sua filha mais nova, Paloma: que delícia!

Aos 23 segundos:


VER AQUI